| Paisagens do Vento - Retratos
(Associação Promotora de Emprego para Deficientes Visuais)
No seguimento de todo o projecto Paisagens do Vento, onde se trabalhou com pessoas com deficiência visual, foi, anteriormente, dada primazia à utilização do som enquanto descrição e identificação da imagem. Numa postura de desenvolver o conceito da imagem tacteável juntamente com a percepção visual da mesma, nasceu o projecto "retratos". Aqui procurou-se abordar a realização de retratos fotográficos em que a própria imagem do retratado é moldada em figura de gesso, tomando-se o caminho da verdadeira manipulação do resultado da imagem fotográfica. Para isso recorremos à construção de retratos através da imagem fotográfica e da realização de máscaras faciais que possibilitaram o contacto com as formas do rosto numa ideia de percepção espacial. Para a realização deste projecto o MEF convidou, mais uma vez, a Associação Promotora de Emprego para Deficientes Visuais (APEDV) a desenvolver esta parceria. O projecto passou por diversas fases, partindo da captação dos retratos, à sua construção em moldes de gesso e termina agora numa exposição pública das imagens e dos rostos em relevo. A exposição tem como base a instalação de formas tácteis ao lado da imagem visual, possibilitando assim a visualização do retrato quer através da visão quer através do tacto.Associação Promotora de Emprego para Deficientes Visuais
(APEDV)
Falar em fotógrafos cegos ou amblíopes continua a ser algo "estranho" para muitas pessoas mesmo quando este curso já vai na sua 4ª edição. Um projecto ímpar que tem para o grupo um gosto especial de "privilégio". A APEDV tem o privilégio de ter sido escolhida pelo MEF para este projecto, e segundo o seu criador foi "uma ideia maluca que me passou pela cabeça" (in "Integrar pela Arte, Rocha, Luís), que em boa hora se concretizou. A APEDV é uma IPSS, sem fins lucrativos que desde 1980 trabalha COM e PARA pessoas com deficiência visual. Tem seguido o seu percurso com uma resposta em formação profissional em diferentes áreas e uma resposta Ocupacional. Os "fotógrafos" inseridos neste projecto são utentes do CAO - Centro de Actividades Ocupacionais. Este centro tem capacidade para 15 utentes que não é mais do que um "ATL de gente crescida", sendo que todos eles têm deficiência visual. O texto que em seguida apresentamos, foi elaborado pelos "fotógrafos" e reflecte a forma como encararam esta actividade: Máscaras feitas por cegos? Parece impossível. Mas é verdade! Afinal isto é gesso! E nós que pensávamos que este material servia apenas para envolver as fracturas, quem havia de dizer! Isto tem o seu lado cómico, o facto de parecer-mos estátuas. O que esconde a máscara? O sorriso, uma angústia, medo? Nem pensar! Estamos demasiado divertidos para nos angustiarmos. Entre nós discutimos o que pensará a máscara. Quando te toquei parecias-me um defunto, mas tinhas vida! Na nossa imaginação estas máscaras podiam contar histórias. Assim, as mais rechonchudas faziam lembrar rabinhos de bebés risonhos, outras faziam lembrar as máscaras que alegram os carnavais de Veneza e fazem rir o mundo inteiro, quais personagens de bailes de máscaras. A máscara pode estalar, pode-se partir, pode esconder a verdade. A minha máscara sou eu mesma, e nem imaginava ter a minha cara na mão! É estranho mas sou mesmo eu! (Alice, Maria Paula Viegas, Ana Jardim, Cristina Matos, Sara Rocha, Marco Viana, Rui Cardoso, José Maria Oliveira, Jerónimo Lavado)
Estrutura Financiada pelo MC (Ministério da Cultura) / DGArtes (Direcção-Geral das Artes)