| Um Outro Olhar é Possível
(Centro Educativo da Bela Vista)Neste projecto pretendeu-se trabalhar a noção do espaço habitado e a relação pessoal com o mesmo. Esta noção de espaço interior/exterior foi complementada com a deslocação dos participantes a bairros de onde são originários, escolhido pelos próprios jovens internos do centro educativo. O objectivo foi obter a sua visão pessoal, identificando zonas de risco e de abrigo no próprio bairro. Para isso apresentou-se aos jovens uma introdução básica à fotografia, referindo aspectos técnicos, uma breve noção da História da fotografia, e uma prática de registo e de trabalho em laboratório (revelação e ampliação). Foram abordados aspectos básicos de enquadramento, de composição, do funcionamento de uma câmara, quais os tipos de filme, papéis e químicos, revelação e ampliação a preto-e-branco. Com este projecto pretendeu-se um tipo de levantamento em que não se procurou o retrato particular, mas sim retratar o dia-a-dia destes jovens que vivem em condições muito singulares, nas suas perspectivas e interpretações pessoais.
Centro Educativo da Bela Vista
(CEBV)
Para que a aprendizagem seja pertinente e significativa, terá de existir uma flexibilidade estratégica em que o processo evolutivo é condicionado pelos ritmos de interacção e pelo poder sugestivo dos assuntos. Nesta perspectiva, encaramos o saber como um todo e as experiências vividas como uma mais valia para a formação integral dos nossos alunos. Oferecemos-lhe matemática, português, inglês…e projectos diferenciados, que marcando momentos de construção reflexiva, possam enriquecer o seu mundo ou mesmo tocar-lhes na transformação de pontos de vista ilícitos e/ou desviantes. Um outro olhar é possível, é o nome deste projecto "Excelente, porque não é o tirar a foto! É a vida que vamos dar à foto". Então partimos! São duas horas e meia ou três de uma tarde de sol meio escondido do mês de Novembro. A passo lento e compassado percorremos ruas e ruelas de bairros problemáticos de Lisboa. Fotografamos lugares de risco e lugares de protecção, dependendo do olhar de cada um ou de um olhar colectivo mais reflectido. Como dizia um dos jovens "A fotografia é o reflexo do que queremos que seja". Guardamos as objectivas e as máquinas e regressamos à outra face do nosso projecto. Espera-nos o laboratório! Aprendemos a revelar criteriosamente e surpreendemo-nos! O aparecimento das imagens no papel revela lentamente a magia da fotografia. Os contrastes, as cores, as sombras, os erros e até os detalhes não revelados pela memória surgem numa qualquer folha de papel fotográfico. O afinar do grão, o negativo, a luz vermelha do laboratório fazem-nos imaginar diversas histórias, ilustradas pelas múltiplas imagens penduradas no estendal. Finalmente, construímos em conjunto uma única história. Contamo-la através da selecção das fotografias representativas da nossa viagem. Ordenamo-las. Expomo-las. Sentimolas, porque elas representam, "uma lembrança que espelha a felicidade de algo".
Judith Silva Pereira
Estrutura Financiada pelo MC (Ministério da Cultura) / DGArtes (Direcção-Geral das Artes)